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Quando o Conhecimento não Basta

O Encontro entre Fé e Cura Emocional - por Joana D'arc terapeuta cristã da Rede Volare


Quando o conhecimento não é o suficiente
Hoje percebo que, em muitos contextos cristãos, a cultura da santidade pode acabar sufocando nossa comunhão com Deus.

Na adolescência, quando entreguei minha vida a Jesus, vivi uma experiência tão marcante que ainda hoje me lembro dos detalhes daquele dia.


A partir de então, minha relação com Jesus foi profundamente marcada pelo ensino. Encontrei sentido no meu chamado através do discipulado. Eu tinha uma sede intensa pelo conhecimento das Escrituras e acreditava que, por meio dele, encontraria paz e descanso. Pensava que, se não estivesse desfrutando da vida abundante, a culpa era exclusivamente minha. Por isso, dedicava-me incansavelmente ao estudo da Palavra, tendo como alvo a estatura de Cristo.


Mas, dentro de mim, havia uma luta silenciosa que me consumia. Pela fé, eu descansava nas promessas; em obediência, me entregava ao serviço cristão. Ainda assim, sentimentos de rejeição, inadequação, culpa e vergonha insistiam em permanecer.


Na parábola do filho pródigo, eu me identificava com aquele que retorna para casa, mas com mentalidade de servo. Meu coração ainda não havia compreendido plenamente a mensagem libertadora do amor incondicional e sacrificial de Jesus por mim.


Foi então que Deus — a quem hoje chamo de Pai, de todo o meu coração, alma e entendimento — começou a integrar aquilo que estava fragmentado em meu ser. Compreendi que minhas emoções também precisavam de cura. Assim como meu entendimento foi alcançado pela verdade da Palavra, minhas dores emocionais também precisavam ser tocadas. Ao entrar em contato com minhas feridas — rejeição, inadequação, culpa e vergonha — encontrei a graça acolhedora do Pai.


Hoje percebo que, em muitos contextos cristãos, a cultura da santidade pode acabar sufocando nossa comunhão com Deus. Muitas vezes, não somos incentivados a orar com a honestidade dos salmistas: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?”. Não vejo falta de fé nessa oração. Pelo contrário, vejo alguém que se apresenta por inteiro diante do Senhor, confiando que será acolhido em sua necessidade — não por falta de fé, mas por uma dor emocional profunda.


Uma verdade que aprendi, e da qual não quero me desviar, é esta: o Deus que criei à minha imagem não é o Deus das Escrituras. Por muito tempo, imaginei um Deus indiferente às minhas dores, incapaz de lidar com meus sentimentos, esperando que eu resolvesse sozinho minhas culpas e vergonhas.

Mas meus olhos foram abertos. Hoje eu vejo o Pai que Jesus revela. Um Pai que acolhe, que escuta e que cura. E, como o salmista, posso orar com esperança:“Por que você está tão triste, ó minha alma? Ponha sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; Ele é o meu Salvador e o meu Deus.”


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Joana D’Arc Faria é terapeuta cristã, graduada em Psicologia pela Faculdade Pitágoras de Uberlândia e formada em Teologia Reformada pela 6ª Igreja Presbiteriana de Uberlândia.



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